UM NOVO OLHAR
A jornada de uma identidade
Escrevi esse manifesto porque chegou um momento em que guardar o que aprendi pra mim mesma deixou de fazer sentido. A vida me ensinou muito. Através da maternidade, do trabalho, das escolhas, dos erros, da fé.
E acredito que experiência que não é compartilhada, é experiência desperdiçada.
Sou Juliana Souza. Fotógrafa há quase 20 anos, mãe do Caetano, empreendedora, mulher em constante construção. Passei por muita coisa que ninguém me avisou. Gestação desafiadora, maternidade, negócio construído do zero, identidade reconstruída aos poucos, espiritualidade que fui encontrando no caminho.
Nesse material falo sobre tudo isso maternidade, presença, tempo de qualidade, se conhecer, espiritualidade e propósito. Não como especialista. Como alguém que viveu e não quer guardar só pra si.
1. Maternidade
O que ninguém me contou antes
Quando fiquei grávida do Caetano, eu achei que sabia o que estava vindo. Não sabia. Ninguém sabe. A gestação pra mim foi desafiadora de um jeito que eu não esperava. Não era só o corpo mudando. Era eu mudando. A mulher que eu era antes estava sendo desmontada pra dar lugar a alguém que eu ainda não conhecia.
Hoje ele tem 12 anos e posso dizer que já vivi cada fase de perto. Cada fase pede uma versão diferente de você. E nenhuma vem com manual. Por muito tempo achei que precisava dar conta de tudo sendo perfeita em tudo. A casa organizada, o filho bem cuidado, o trabalho funcionando, o emocional equilibrado. O que aprendi é que quando a gente tenta controlar tudo, a gente para de sentir qualquer coisa de verdade.
A maternidade não me quebrou. Me reconstruiu. E o que emergiu foi uma mulher que eu não esperava encontrar.
O que eu faria diferente: teria pedido ajuda mais cedo. Teria parado de fingir que tava tudo bem quando não tava. Teria entendido antes que ser boa mãe não é ser perfeita. É estar presente. É continuar, mesmo nos dias em que ninguém vê.
2. Presença
A única coisa que o tempo não devolve
Teve um dia que o Caetano me chamou várias vezes e eu respondia sem ouvir. Estava lá, no mesmo cômodo, mas minha cabeça estava em mil outros lugares. Até que ele pegou meu rosto com as mãos e virou pra ele. Aquele gesto pequeno me parou completamente. Era como se ele dissesse: eu estou aqui. Você também está?
A gente pode estar do lado de quem ama e ainda assim estar ausente. Respondendo no automático, pensando no trabalho, no que falta fazer. Presença de verdade é quando você para, olha nos olhos e realmente está ali. Inteira.
Presença não é uma qualidade que você tem ou não tem. É uma escolha que você faz, de novo, todo dia. O que pratico: escolho um momento do dia com o Caetano e coloco o celular longe. Só esse momento. Inteiro. Pode ser assistir um filme, jogar uno, ir à praia, cozinhar juntos. O que importa não é o que fazemos. É que eu estou cem por cento ali, sem pensar no trabalho, sem pensar na casa. Só nós dois.
3. Tempo de qualidade
Não é quanto tempo. É como você usa.
Tem uma diferença enorme entre estar junto e estar presente. Você pode passar o dia inteiro com seu filho eele sentir que você não estava lá. E pode passar uma hora com ele de verdade e isso valer mais do que uma semana.
O que eu aprendi é que tempo de qualidade precisa de intenção. Você decide: agora eu estou aqui. Agora o trabalho pode esperar. Agora eu não estou resolvendo nada. Estou só vivendo isso.
E isso não vale só com seu filho. Vale com suas amizades, sua família, as pessoas que você quer manter na sua vida. Encontro marcado, presença real, sem o celular na mesa.
Hábito que criei: uma vez por semana, um programa intencional com pessoas que amo. Pode ser museu, um cafe da manha, praia, cinema, jogar cartas em casa. O que não pode é eu estar com a cabeça em outro lugar.
4. Se conhecer
O trabalho mais importante que existe
Por muito tempo eu não sabia quem eu era fora do papel que exercia. Mãe. Fotógrafa. Filha. Empreendedora.Esses rótulos ocupavam tanto espaço que eu esqueci de perguntar: mas quem é a Juliana?
Se conhecer é o trabalho mais honesto que existe. Porque ele não tem atalho. Você precisa parar, olhar pra dentro, e ter coragem de não gostar de tudo que encontra. E também de se surpreender com o que está lá.
Fui percebendo que sou uma pessoa extremamente empática. Que preciso de silêncio pra me recarregar. Que sou curiosa e profunda e não caibo numa caixinha só. Que sou mãe, fotógrafa, empreendedora, espiritual, mulher, e nenhum desses rótulos me define inteiro.
O que me ajudou: ler, meditar, escrever, observar minhasreações. Parar de fugir das perguntas difíceis e começar a sentar com elas.
5. Espiritualidade
É muito mais do que uma religião.
Não sigo uma religião de forma rígida. Mas tenho uma fé profunda e viva. Acredito em amor como força central douniverso. Acredito que existe um fio que conecta tudo e que a gente sente isso quando para o suficiente pra escutar.
Jesus, pra mim, não é só uma figura religiosa. É o maior exemplo de presença, de amor radical, de viver com propósito independente do que o mundo espera de você. Ele não veio pra criar regras. Veio pra mostrar o que é amar de verdade. E isso ressoa com tudo que acredito sobre como quero viver.
Voltei a meditar recentemente. Aprendi que meditar não é esvaziar. É voltar. O pensamento vem, eu percebo, e volto. Não é fracasso. É a própria oração.
Espiritualidade, pra mim, é uma prática de mentalidade também. É acreditar que o que você cultiva por dentro, manifesta por fora. Que gratidão abre portas. Que presença é o maior presente que você pode dar. Que sonho é destino e que se algo foi colocado no seu coração, existe um caminho pra ele.
O que pratico: meditação diária, leitura, silêncio intencional. E confiar mais do que controlar.
6. Propósito
Não é um destino fixo. É o que você escolhe servir agora.
Durante muito tempo eu achei que propósito era uma coisa que você descobre uma vez e carrega pra sempre. Uma missão definida, clara, imutável. Fui aprendendo que não é assim.
Propósito não é sobre a ferramenta que você usa, o trabalho que você tem, o cargo que ocupa, o negócio que construiu. É sobre o que você escolhe servir naquele momento da sua vida. E isso muda. Evolui com você.
Para mim, hoje, propósito é guardar momentos que as pessoas vão querer reviver. É estar presente na vida do Caetano de um jeito que ele sinta. É compartilhar o que aprendi pra que outras mulheres não precisem aprender tudo sozinhas.Mas eu sei que daqui a alguns anos, o propósito pode ter outro nome. E tá tudo bem. Porque o fio que conecta tudo continua sendo o mesmo: fazer o que faz sentido, com intenção, do jeito que só você sabe fazer.
Propósito não é o que você faz. É o porquê que te faz levantar todo dia e continuar.
O que me ajudou: parar de comparar meu caminho com o dos outros. Entender que trabalho com propósito não precisa parecer grandioso pra todo mundo. Precisa fazer sentido pra você.
Para fechar
O agora é o capítulo que um dia você vai querer reviver.
Passei por muita coisa que não esperava. Gestação desafiadora, maternidade solo, negócio construído do zero, identidade reconstruída aos poucos. Não foi fácil. E não vou fingir que foi.Mas hoje, do outro lado de tudo isso, consigo olhar pra trás e entender o porquê de cada coisa. Cada dificuldade me trouxe até aqui. Cada escolha foi necessária.
E não quero guardar esse aprendizado só pra mim. Quero me conectar com mulheres que, como eu, são mães, empreendedoras, buscadoras, que não cabem numa caixinha só e não precisam caber.
Se esse material chegou até você, não foi por acaso. Me encontra no Instagram @jusouzafoto. Vamos caminhar juntas nessa jornada.
com amor, Juliana Souza.
@jusouzafoto